Uma mídia da multidão (parte II)

By emvogas

Um passeio por Castells e Levy 

Nesse ínterim, faz-se indispensável perguntar: por que podemos definir a Internet como um veículo da multidão e não como um veículo de massa? O que a diferencia como tal? O que caracteriza cada categoria? Para esclarecer estas questões, entendemos ser antes necessário resgatarmos o próprio conceito de “meios de comunicação de massa” (os mass media) e, por extensão, a chamada “cultura de massa” que eles viriam a configurar no nosso espaço social (e que, segundo diversos autores, a Internet viria justamente a minar gradualmente).

antv-p-blog.jpg 

 Obs: Use o recurso da lupa para ver melhor o desenho.

Por isso, num esforço inicial, tentaremos elucidar o que caracteriza os veículos incluídos na categoria de mass media, pois, ao fazê-lo, poderemos, por oposição, projetar com muito mais clareza o que caracteriza o veículo Internet, já que, em muitos aspectos, podemos dizer que ela se define justamente como o reverso (ou pelo contraste) dos assim-chamados veículos de massa.

Desta feita, decidimos recorrer ao bom e velho Castells – e mais precisamente a seu clássico cada vez mais atual: “A Sociedade em Rede na Era da Informação“. No capítulo intitulado “A cultura da virtualidade real: a integração da comunicação eletrônica, o fim da audiência de massa e o surgimento de redes interativas“, o teórico discorre larga e poderosamente a respeito do surgimento e da proliferação dos mass media no mundo contemporâneo – e particularmente da televisão, que, conforme suas palavras, pode ser elevada como o mass media por excelência e, logo, o epicentro da cultura de massa. O autor discorre também sobre a influência da grande mídia na redefinição da nossa cultura (comportamento, modo de vida) ao longo do século XX e, finalmente, a evolução dos meios de comunicação de massa para as redes de comunicação eletrônica (digital) que vem ganhando corpo desde fins do século passado, bem como as implicações que isso provoca em todas as esferas da existência humana – trabalho; lazer; educação; política; economia; formas de sociabilidade/interação; relações humanas como um todo – numa palavra, nossa cultura.

Pedimos licença para aqui citarmos, por vezes longamente, alguns fragmentos extraídos da referida obra, os quais serão entrecruzados com trechos de outra obra de grande peso, de um autor equivalente em importância quando se trata de analisar as sociedades contemporâneas à luz da revolução cultural que foi detonada pelo advento das redes eletrônicas (ou “ciberespaço“, como prefere o próprio autor). Trata-se de “Cibercultura”, do francês Pierre Levy - mais precisamente, o capítulo “O Movimento Social da Cibercultura“.

2 Respostas para “Uma mídia da multidão (parte II)”

  1. Liliana Lopes Disse:

    Gostei desses dois artigos.

    Gostaria só de saber uma coisa: qual a fonte da foto? É que eu gostaria de usá-la num trabalho, mas sem fonte não posso…

    Muito obrigada!

  2. Liliana Lopes Disse:

    Agradecia que repondessem no meu blog, se possível claro. Se nao, por e-mail.

    Continuem o bom trabalho nesse blog ;)

Deixe uma resposta