O salto da Internet na emissão de conteúdos
De tal sorte, qual é o grande salto que a Internet proporciona? Com o seu advento, o indivíduo passa a ter não só a possibilidade de escolher, como receptor, entre uma infinidade de conteúdos, mas também de:
(1) interagir com aqueles conteúdos;
(2) colaborar com os seus emissores na produção dos mesmos, tornando-se, portanto, co-autor – todos se tornam co-autores de tudo, o que implica uma reconfiguração ou mesmo a extinção da figura do “autor” propriamente dito (a mente isolada criativa/criadora);
(3) produzir (eis a maior revolução) os seus próprios conteúdos, de qualquer espécie ou natureza, e publicá-lo em escala global, para qualquer ponto do planeta conectado à rede.
No campo do jornalismo, a expressão concreta mais atual dessa tendência está contida nos blogs, em que cada indivíduo se torna um comunicador social em potencial. Qualquer um passa a ter acesso a uma gama imensa de conteúdos transmitidos por fontes as mais variadas. Em sua imensa maioria, são pessoas “normais”, que não ostentam o estatuto de jornalistas e nem são reconhecidas como tais; portanto, pessoas estranhas (talvez caiba “estrangeiras”) ao território oficial do Jornalismo com J, mas que, não obstante, subitamente se transformam em jornalistas por ofício, pelo simples poder de comunicar (reportar) fatos noticiosos (ditos “jornalísticos”) a outrem, de uma forma, digamos, jornalística, porém com outra linguagem, em outro formato, a partir de outro modus operandi, enfim, seguindo uma dinâmica outra que não a do jornalismo convencional – mas que eventualmente a incorpora (subsume) em alguns aspectos (por exemplo, checar dados com fontes confiáveis). Estendendo um pouco essa linha de raciocínio, podemos talvez declarar que cada indivíduo é, hoje em dia, um jornalista com potencial latente, uma vez que tenha acesso ao meio e um domínio mínimo sobre suas ferramentas para poder desempenhar essa função.
Todo indivíduo, inclusive, pode interagir com esses diversos atores no processo de comunicação, e, o que é mais, numa inversão de papéis, com o simples domínio das ferramentas e interfaces digitais (no caso, aquelas próprias da “blogosfera”), pode ele mesmo alçar-se à condição de emissor autônomo de informações de teor jornalístico, o que, em última análise, põe por terra a noção de “autoridade jornalística” e o próprio terreno culturalmente estabelecido do jornalismo oficial – o “autêntico”, o aceito, o até bem pouco tempo exclusivo e único a encontrar legitimação social.
Há mesmo aqueles professores que, um pouco mais entusiasmados, chegam ao cúmulo de obrigar os seus alunos a criar os seus próprios blogs.
