Uma mídia da multidão (parte VIII)

By emvogas

Cooperação e Interação 

Assim, talvez novamente sob o risco de incorrermos em algum reducionismo, entendemos poder resumir em dois fatores a revolução que a Internet desencadeou para os processos comunicacionais: interação e cooperação, para o intercâmbio de informações e a produção coletiva de conhecimentos (veja-se a Wikipedia, exemplo que já se tornou lugar comum para ilustrar essa tendência).

Na mesma linha argumentativa, Castells sustenta que a criação da WWW, no início dos anos 90, correspondeu a um fator determinante para a explosão dessas possibilidades de interação na rede:

Com o surgimento da World Wide Web – WWW (Rede de Alcance Mundial), tornou-se possível a formação de agrupamentos  por área de interesse e projetos na rede. Com base nesses agrupamentos, pessoas físicas eram capazes de interagir de forma expressiva no que se tornou, literalmente, uma Teia de Alcance Mundial para comunicação individualizada, interativa.

Referendando as teses de Castells, Pierre Levy ainda o supera em entusiasmo ao debruçar-se sobre as possibilidades geradas pela Web. Reconhecidamente um autor “integrado” às novas tecnologias da informação, (segundo a terminologia proposta por Umberto Eco) e um otimista convicto em torno do ciberespaço (para usar a sua própria expressão), Levy sentencia, em tom profético

[...] o ciberespaço como prática de comunicação interativa, recíproca, comunitária e intercomunitária, o ciberespaço como horizonte de mundo virtual vivo, heterogêneo e intotalizável no qual cada ser humano pode participar e contribuir. Qualquer tentativa de reduzir o novo dispositivo de comunicação às formas midiáticas anteriores (difusão “um-todos” de um centro emissor em relação a uma periferia receptora) só pode empobrecer o alcance do ciberespaço para a evolução da civilização.

Hoje, podemos apontar como a máxima expressão desse sistema de interação as ditas “comunidades virtuais”, as quais vêm se multiplicando intensamente, com o surgimento de diversos programas para esse fim – a exemplo do Orkut, que oferece uma interface facílima de se operar e vem obtendo um alcance quase universal.

Nesse ponto, é imprescindível detalhar o próprio conceito de “comunidades virtuais”. Segundo Castells:

É o que, ao encontro da afirmação de Rheingold, geralmente se entende como uma rede eletrônica de comunicação interativa autodefinida, organizada em torno de um interesse ou finalidade compartilhados, embora algumas vezes a própria comunicação se transforme no objeto.

Levy parece concordar:

Uma comunidade virtual é construída sobre as afinidades de interesses, de conhecimentos, sobre projetos mútuos, em um processo de cooperação ou de troca, tudo isso independentemente das proximidades geográficas e das filiações institucionais. [...] As comunidades virtuais do ciberespaço oferecem, para debate coletivo, um campo de prática mais aberto, mais participativo, mais distribuído que aquele das mídias clássicas.

E complementa, lembrando um dos lemas mais difundidos da contracultura digital: “No novo sistema, “horário nobre é o meu horário”.

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